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Uma reflexão sobre luto-pet, arte e o direito de sentir


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É possível criar beleza em meio à dor?

Uma reflexão sobre luto-pet, arte e o direito de sentir

Vivemos em tempos em que a felicidade virou performance. Sorrir virou obrigação. E a dor? Essa, muitas vezes, precisa ser escondida, especialmente se você é uma pessoa pública, alguém que “precisa estar bem”.

Mas e quando não estamos? E quando o coração está em luto, em silêncio, em reconstrução?

Ser forte é sentir ou ignorar?

A sociedade nos ensinou que força é sinônimo de controle, de sorriso no rosto, de seguir em frente sem olhar pra trás. Mas será que ignorar a dor é mesmo força? Ser forte, pra mim, é ter coragem de sentir. É permitir que a tristeza exista, sem vergonha, sem pressa. É olhar pra dentro e dizer: “Eu não estou bem, e tudo bem.” Ignorar o que dói não é força, é fuga. E fugir de si mesma é o caminho mais longo pra qualquer cura.

Permita-se sentir o que está doendo por dentro

Vivemos tempos em que a felicidade virou obrigação. Redes sociais, likes, filtros, tudo nos empurra pra uma versão editada de nós mesmos. Mas a dor não se edita. Ela pulsa. Ela grita. E ignorá-la só faz com que ela encontre outros jeitos de se manifestar. Permita-se sentir. Chorar. Ficar em silêncio. Ficar em paz com o caos interno. Isso é ser humano. Somos feitos de sentimentos, não de aparências.

Por que admiramos os pets?

Porque eles não exigem que você sorria na rua. Seu pet, ao sair com você, não diz: “Seja feliz para os outros verem.” Ele apenas caminha ao seu lado, sentindo sua energia, respeitando seu silêncio. Os pets não julgam a intensidade do nosso amor, nem nos cobram performance emocional. Eles apenas amam, e isso é revolucionário.

Talvez por isso o luto por um animal seja tão profundo. E, finalmente, começa a ser reconhecido pela sociedade. O luto por pets é original, íntimo, e vem ganhando espaço nas conversas sobre saúde emocional. Hoje, não há um direito geral à folga no Brasil por morte de pet previsto na CLT. Mas há esperança: o Projeto de Lei 221/2023, em tramitação na Câmara dos Deputados, propõe licença de até um dia para tutores que perderam cães ou gatos. Algumas empresas já oferecem esse benefício internamente, como parte de políticas de bem-estar e empatia. Por enquanto, o direito à folga depende da política da empresa ou de uma negociação direta com o gestor. Mas o fato de estarmos falando sobre isso já é um avanço. Porque reconhecer o luto é reconhecer o amor. E os pets, mais do que companheiros, são vínculos afetivos que merecem respeito, até o fim.

Os tempos mudam. Você se molda ou não se molda?

A pressão pra se moldar é constante. Seja mais alegre. Seja mais produtiva. Seja mais vendável. Mas e se a sua verdade não couber nesse molde? Você tem o direito de não se encaixar. De ser diferente. De ser você. Os tempos mudam, sim. Mas nem todo mundo precisa mudar com eles. Às vezes, resistir é o maior ato de liberdade.

Quando a arte encontra a alma

Ontem, enquanto eu pintava, algo não fluía. A grama que cercava a cachorrinha protagonista da tela não transmitia a ternura que eu sentia. Então, rezei. Pedi a Deus que me ajudasse a expressar o que meu coração sabia, mas minhas mãos ainda não conseguiam traduzir. Voltei à tela. E ali, pincelada por pincelada, a grama ganhou vida, à altura da doçura daquela cachorrinha. Foi como se Deus tivesse me dito antes de eu nascer:

“Fatinha, você terá o dom de expressar os pets fazendo deles obra de arte. Esse dom será para mostrar o respeito às minhas criaturas mais doces e fofas, que criei para manter os humanos com o coração suave. Eles são encantadores e embelezam o mundo.”

Minha arte não é só técnica. É missão. Cada pet que retrato carrega uma personalidade que consigo ver e transmitir. É como se eu os escutasse com os olhos e os traduzisse com o pincel.E é por isso que não posso e não vou, dar ouvidos a “coaches de ocasião” que dizem que tristeza deve ser escondida, que dor deve ser ignorada. A dor pela perda de um pet é real. É familiar. É profunda. Hoje, os pets são parte da família. E quando envelhecem, cuidamos deles com amor redobrado, aproveitando cada instante como se fosse o último. Depois, o que resta é saudade. E saudade também é amor.

Sentir, expressar, existir

Ser forte não é sorrir o tempo todo. Ser forte é sentir profundamente e ainda assim seguir em frente com dignidade. É transformar dor em arte, saudade em memória, silêncio em expressão.

Os pets nos ensinam isso todos os dias. Eles não exigem que sejamos perfeitos, apenas presentes. E quando partem, deixam um vazio que não se preenche com frases prontas, mas com lembranças vivas e amor que não se apaga.

Minha arte é minha forma de honrar esses vínculos. Cada pincelada é uma oração, cada olhar retratado é uma história.E se alguém disser que “as pessoas gostam de gente feliz”, eu respondo: As pessoas precisam de gente verdadeira.

Se você está vivendo um luto, seja por um pet ou por qualquer outro amor, permita-se sentir.Você não está sozinho. E sua dor também é uma forma de amor.

 
 
 

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